Basta olharmos para o lado, nos tempos em que estamos vivendo tecnologia e inovações é o que não falta, logo pela manhã temos a um aperto um café fresco , com a cafeteira os bules logo serão descartados. Computadores, televisões, DVD, Blu-ray, estamos em plena era digital e não podemos esquecer do tão cobiçado celular, aquele aparelhinho que as pessoas colocam no bolso e saem desfilando por ai, algumas o utilizam de fato, outras apenas fazem questão de poder dizer com empolgação e liderança : “ Eu tenho um celular ...”
Já vi pessoas que falam no celular com fantasmas, parece fascinante, mas a espiritualidade já invadiu o mundo digital, em meio a uma conversa, confusão, ou qualquer cena cotidiana o sujeito retira o celular do bolso, como se aquele recebesse uma ligação, e começa a falar. Certo dia vi uma cena desta diante de meus olhos em meio a uma conversa sem muita finalidade com uma amiga, a garota retirou o celular e começou a falar, quando perguntei com quem estava falando ela me respondeu sem pensar duas vezes : “ Antônio... “ E continuou a prosa que a principio aparentava-se ser longa e só não foi mais porque no meio desta meu amigo Antônio apareceu e nos cumprimentou.
Hoje em dia quase todo mundo tem celular, eu estava fazendo parte até então da insignificante porção de pessoas que não possuía um daqueles cobiçados aparelhos, estava suportando bem viver sem a dependência daquela maquininha, entretanto não pude resistir a tentação, iria comprar um celular!
A única função que eu tinha quase certeza que um celular exercia era fazer ligações, tirando isso não sabia se era a manivela ou a gasolina que este funcionava... Procurei me informar, conversei com algumas pessoas, li jornais, não pesquisei na internet porque ainda não tinha certeza que está já existia. Descobri muita coisa e muitos celulares, alguns tiravam fotos, outros filmavam, enquanto havia aqueles que tocavam rádio e músicas e também os que serviam como mapa e mesmo máquina de escrever, pode parecer estranho, mas encontrei um celular que possuía uma incrível função de cafeteira.
Estava pronto não podia esperar mais, havia chegado à hora, a tão sonhada hora de comprar um celular, não sabia por que, nem para que usaria aquele cubículo de tecnologia. Fui a uma loja especializada em eletrônicos, estava um pouco tenso, procurei manter a calma e fui em busca de um vendedor... Nem foi preciso, a criatura pálida e alta apareceu em minhas costas repentinamente, quando percebi sua presença não sabia se saia correndo ou chamava uma ambulância para ajudar o pobre ser humano.
Procurei me lembrar das aulas de autocontrole e informei o vendedor cautelosamente que eu procurava um aparelho celular, ele pediu que eu o acompanhasse e fomos caminhando até uma enorme vitrine que tinha as mais diversas engenhocas e inutilidades. O vendedor começou a virar os olhos sobre a vitrine, seus olhos pareciam os de um papagaio, após alguns segundos achei que ele estava meio confuso, após alguns minutos achei que ele estava perdido e depois de trinta minutos de busca cheguei a conclusão de que ele não fazia a mínima noção do que estava procurando, até que ele pegou vários aparelhos e passou a me mostrar um por um, tentando sem sucesso explicar o que cada um fazia. Fui apresentado à vários modelos e marcas, e encabulado logo questionei : “ Qual é o melhor?” E como todo vendedor ele logo me apresentou aquele que era o máximo , o máximo preço que existia na loja, sem muito pensar acabei que adquirindo aquele independentemente do preço, afinal sendo o melhor aparelho com certeza iria fazer grande sucesso.
Foram quase meia hora de espera até que o tal do cupom fiscal fosse impresso, ele pediu desculpas disse que com o grande pedido de notas sobre produtos do Paraguai não estavam mais conseguindo passar pelo sistema de impostos do Brasil, eu sorri, mas em momento algum vi que ele expressou aquilo como brincadeira. Além da demora recebi o produto dentro de um pacote de pão, com os cabos e fontes enroladas entre meio uma confusão de fios, olhei indignado e antes que me pronunciasse o vendedor logo anunciou: “É ponta de estoque, não encontramos a embalagem, provavelmente tem algum defeito, deve ter vindo da devolução... nada demais...“
Tentei me controlar, achei melhor não discutir com o vendedor e levei o aparelho para casa na esperança de que não houvesse nenhum problema com aquele, foram quase três dias para que eu conseguisse ligá-lo e mesmo assim não conseguia utilizá-lo de maneira alguma. Mostrei para todos que eu conhecia, mas todos diziam que o aparelho deveria ser muito sofisticado, pois eles nunca viram aquele modelo. Fiquei muito feliz, eu era o cara, ninguém tinha um aparelho melhor do que o meu, até que um dia um amigo pediu o número do celular, coloquei a mão na cabeça e fiquei pensando sobre aquele pequeno detalhe, no dia seguinte fui correndo para a loja onde logo encontrei o vendedor que parecia estar se desencontrando de mim como se ao pensamento lhe viesse: “Cliente uma vez é compra, duas vezes é troca”.
Mesmo sem querer ele acabou me atendendo e eu logo lhe informei o que precisava: o número do celular, ele pegou o aparelho e foi ao fundo da loja onde contatou alguém que aparentava ser o gerente, este chamou outra pessoa e mais outra que por sua vez chamou uma moça, em poucos segundos havia uma roda com cerca de dez pessoas observando algo que por suas expressões teria grandes chances de ser um extraterrestre, entretanto era apenas o aparelho que eu havia adquirido, depois de algum tempo o vendedor voltou a mim com o aparelho em uma mão e uma caixa em outra, rapidamente ele colocou-o dentro da caixa e foi me informando: ”Infelizmente não posso fazer nada este aparelho não tem suporte à chamadas, por isso não tem número...mas encontramos a caixa ! “ Retruquei imediatamente, como eu poderia estar ouvindo aquilo, havia comprado um celular que não fazia ligações, após uma grande discussão e uma série de explicações cheguei a conclusão que o melhor a fazer era aceitar a situação, tentei por uma ultima vez e ele me disse: “ Não posso fazer nada, o senhor deveria ter especificado que precisava de um celular que realizasse ligações...” Para mim era o limite, tomei posse da sacola que continha a caixa com o aparelho e fui embora.
Depois de alguns dias peguei a sacola e resolvi ver o aparelho novamente na tentativa de descobrir alguma outra função daquela inutilidade, rapidamente me deparei com a escrita na caixa, ao lado da imagem de meu aparelho, “ Câmera Digital 7.0 mega pixels” .

2 comentários:
o manow
fez todo esse drama a historia inteira
pra no fim falar que era uma camera digital
mais tu ta perdendo o juizo mesmo em zé galinha
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
O négocio é assim mesmo cara... tem que ter humor nestas bagaças de crônica se não ninguém perde tempo lendo... blz...
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