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quinta-feira, 28 de março de 2013

O menino magrinho

Durante toda aquela semana meu amigo me preocupava, estava agindo estranhamente e a todo momento parecia se assustar com algo, como se estivesse com um problema que o ocupava toda a mente ou algo que lhe perturbasse intensamente. Logo pela segunda notei que algo não estava normal e achei melhor deixa-lo, talvez fosse algo momentâneo, em algumas horas ele deveria estar melhor e voltaria a fazer suas velhas brincadeiras, como todo dia.
O dia terminou, veio a terça e já esperava encontra-lo normalmente, quando me deparo com alguém ainda mais tenso e perplexo, o problema estava começando a ficar sério, pensei que podia ser algum distúrbio psicológico, mas ele foi sempre tão equilibrado... pensei então que talvez fosse alguma medicação, porém não devia estar doente e se estivesse haveria de ter me avisado, só restava uma explicação, meu pobre amigo estava em uma cilada grande: havia se tornado um dependente químico, era isto, o bendito mundo das drogas havia o fisgado, era a única explicação racional! 
Mais do que nunca ele precisava da minha ajuda e eu não poderia deixa-lo na mão, tratei de organizar meus pensamentos e tentar falar calmamente com ele sobre o que estava se passando. Cerquei ele no corredor do  prédio do serviço, sua aparência era assustadora, seus olhos pareciam saltar as pálpebras, como uma presa assustada preste a ser devorada e então o disse:
_ O que está aconteceu, meu amigo Zé?
Ele olhou para os lados, como se fosse me dizer algo extremamente sigiloso, me segurou nos ombros, parou por alguns segundos e ficou me olhando com aqueles olhos estatelados e depois me empurrou e saiu andando apressadamente enquanto resmungava:
_Nada, nada... 
Definitivamente aquilo não era nada, algo muito ruim estava acontecendo e cada vez mais eu temia que minhas teorias estivessem certas. 
Chegou então a quarta, precisa resolver aquilo de uma vez por todas, mas quando cheguei ao escritório, mais tarde que de costume, pois antes havia passado em uma clínica para obter algumas informações, encontrei um alvoroço de pessoas apavoradas, conversando desorganizadamente sobre algum assunto comum a todos. Procurei rapidamente por Zé e como temia não o vi, logo pensei que algo mais grave havia acontecido e ligeiramente me aproximei do grupo e perguntei o que estava acontecendo, o rapaz do café se dispôs a falar e me explicou:
_É o Zé, ele esta por ai perguntando pra todos que ele encontra se estão vendo um certo menino... só que o tal menino não existe e o comportamento do Zé já não estava dos melhores. 
_É o que eu temia, não vejo outra escolha, amanhã teremos que ajuda-lo, seja por bem ou por mal!
Meu velho amigo Zé estava tendo fortes alucinações, não via outra escolha se não interna-lo até que ele melhorasse, falei com sua família que também estava completamente em pânico e combinamos todo o esquema para o dia seguinte. 
No outro dia cheguei no escritório logo cedo, todos estava avisados, a ambulância e os enfermeiros deviam chegar por volta das nove horas, eram sete e meia e o Zé devia chegar as oito, e foi tudo conforme o script, as oito meu amigo apareceu, mais aflito e agitado do que nunca, andando para todos os lados, virando o pescoço a todo instante, observando tudo e todos com pânico, pobre amigo, devia estar tendo as alucinações. As nove horas os enfermeiros chegaram e entraram no prédio com todos os equipamentos para levarem o paciente, todos trataram de encaminhá-los até a sala em que estava Zé sentado a um canto, rebatendo-se e fazendo qualquer som não identificável com a boca, tratei de ajudá-los, afinal era meu melhor amigo e queria vê-lo bem novamente, os dois enfermeiros o levantaram sem muita dificuldade ele não reagiu muito, sabia que precisava de ajuda, e antes que o colocasse em uma camisa de força ele disse que ninguém lhe dava ouvidos e pediu-me que respondesse uma única pergunta, nada mais justo:
_Diga Zé, pode falar.
_Você está vendo ali naquele canto, com os olhos lacrimejando, a boca seca, a pele marcada de cicatrizes profundas, olhando diretamente para nós, um menino magrinho?
_Não meu amigo, não estou...
E imediatamente Zé se renovou, o apavoramento passou, seus olhos voltaram ao lugar, seu corpo parou de tremer e como em um ato de completo alívio me disse:
_ Ufa, ainda bem! Pensei que fosse só eu que não o via. 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Onde era o banheiro?

Aquela entrevista acabou sendo marcante para mim, não porque foi excepcional, ou tratasse de algum assunto muito relevante, entretanto se tornou tão engraçada senti necessidade de escreve-la para ao menos tentar compartilhar um pouco as boas risadas que dei depois que o fato se passou.
Eu trabalhava na rádio do interior paulista, iria entrevistar um garoto que havia se destacado nas categorias de base do atletismo e seu pai foi acompanha-lo, pedi para que os dois entrassem na sala de gravação, entraríamos ao vivo dentro de poucos minutos, o que tornou o que se vai passar um pouco mais trágico, expliquei rapidamente para eles como se falar no microfone, pois me aparentava que eles nunca haviam visto um. Disse para fazerem silêncio e só responderem as perguntas. 
Passou-se os minutos que tínhamos, a última música estava acabando, disse para eles que iriamos entrar no ar, o garoto se sentou diante do microfone e o pai ficou do lado. 
Comecei como de rotina apresentando o garoto e o motivo da entrevista : " Olá boa tarde, são 13 horas e 15 minutos, estamos aqui com jovem garoto João que vem se destacando no atletismo juvenil e irá nos falar hoje um pouco mais sobre sua rotina e como é conquistar competições assim tão jovem..."
A entrevista se decorreu bem, o garoto se expressou com facilidade, estava até me surpreendendo, o pai observava tudo, achei bom perguntar algo para ele no fim da entrevista, pedir para ele deixar algumas palavras, ou algo do gênero. 
O menino falava abertamente da sua rotina, quando percebi que o pai parecia estar agitado, ele se mexia na cadeira de um lado para o outro, as vezes levantava a mão e abaixava rapidamente como se quisesse dizer algo, mas estivesse com medo, ou vergonha, resolvi continuar com o questionário, mas não pude deixar de observar como o homem agia. Estava pronto para finalizar a entrevista : " Então , João, o que você tem a dizer para os jovens como você que sonham em conquistar algo na vida ?"
Ele respondia a última pergunta, o homem parecia estar em pânico, parecia estar com medo da entrevista acabar e ele não conseguir falar o que queria, fazia carretas constantemente e se contorcia na cadeira, o menino parou de falar e então anunciei : " Está aqui conosco também o pai do garoto João, seu Ernesto, o senhor tem algo a dizer?" e coloquei o microfone diante dele
O homem agora com outra expressão disse : " Eu só queria saber onde era o banheiro?"




segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Reflexão de Vida

O velho homem se sentou ao lado dos degraus da antiga escada de madeira feita a mão por ele mesmo, quando ainda podia. Olhou para os lados, tudo o que via era um pangaré, que lhe acompanhará até ali, um burrico e algumas galinhas ciscando em volta da casa. Vizinhos? As vezes se torna comum não ter vizinhos quando se mora na área rural. Ali sentado ele ficou por alguns minutos, refletindo, tudo o que viveu e deixou de viver em sua vida, mais do que nunca ele sabia que o fim estava mais próximo do que ele imaginava e agora precisava estar preparado para encerrar sua pequena passagem pela vida.
Começou a lembrar de sua infância e dos momentos que haviam lhe marcado durante está primeira fase de sua vida, as brincadeiras com os amigos, os fins de semana em que iam caçar passarinhos e pescar  e também os momentos mais difíceis que passará com sua família, situações de aflição e indignação, as vezes a vida pode também ser injusta, mas aquela fase passou, tão depressa como os segundos que ele precisou para retoma-lá.
Ele cresceu, deixou de ser uma criança, se apaixonou, viveu intensamente, conheceu pessoas que lembrou até o fim de sua vida, mas talvez elas nem sequer souberam de sua existência, ele também se decepcionou e muito, como qualquer pessoa , os contratempos e controvérsias fazem parte da vida, que como disse pode ser injusta, mas pode, e é , mais do que justa no tempo certo, foi ali que ele conheceu a garota que com ele passaria a eternidade, se o destino permitisse, mas o destino também tem leis a seguir e não pode atender, porém eles viveram da forma mais plena possível todo o tempo que o destino permitiu que eles ficassem unidos, conheceram todas as faces da vida, desde as mais belas até as mais monstruosas, o sofrimento presenciou-lhes momentos que preferiam não protagonizar, contudo se estamos no mundo para viver, é necessário viver e a vida traz consigo todas estas características.
No momento em que volta ao tempo e revivia os bons momentos da vida uma brisa soprou e o velho acordou, como se estivesse em um sonho profundo do qual não queria voltar, uma lágrima tomou sua face, certamente retomava tempos que não foram bons...
Era tarde agora não se podia modificar o que passou, não podemos voltar ao passado, talvez não possamos mudar o presente, mas dizem que se pode fazer o futuro e quanto não há tempo para o futuro? As vezes é preciso tempo demais para se poder viver o futuro, e o homem sentado ao lado da escada sabia mais do que nunca que naquele momento não havia mais tempo para se viver o futuro, mas não reclamava por isso, e se orgulhava pelo mesmo motivo, pois sabia que enquanto muitos ainda tinham décadas para construir um futuro ele já o tinha construído, e agora este era seu passado.
Levantou-se lentamente e olhou para o céu, o sol raiava lentamente tudo parecia devagar, e ele sorriu em um pensamento triunfal de que havia conseguido viver, toda a sua vida, da melhor forma possível , neste momento o sol raiou e como se o cegasse ele fechou os olhos, para não abrir nunca mais.


sábado, 3 de setembro de 2011

Chuva e previsão do tempo...

Acordei naquela manhã como uma manhã qualquer, para mim não faria diferença se iria chover ou fazer sol, tanto faz, nunca fez diferença, pessoas se preocupam com tantas coisas atoas e eu não entendo o por que. Estava um pouco frio, não me preocupei em querer saber se ia ou não chover, ou fazer sol, não fazia a menor diferença mesmo. Nem entendo ao certo para que serve a meteorologia se não prever grandes catástrofes, é claro que a mulher do tempo pode falar que vai chover e realmente chova, mas pode ser que ela diga que vai fazer sol e você volte encharcado para sua casa, isso acontece e você não pode processar a rede transmissora que lhe informou que "poderia", isto mesmo "poderia fazer sol", apenas uma questão de estatística.
No fim acabou chovendo e muito, independente disto era só água e ouvir dizer que precisamos dela, geralmente quando queremos viver é preciso beber água, além de ter algumas outras mínimas utilidades como tomar banho, cozinhar alimentos e outra infinidade de aplicações, é pensando um pouco melhor até que é útil essa tal de água ai. Se bem que conheço algumas formas de vida que se adaptem sem elas, algumas formas de vidas mortas, não no sentido conotativo estas existem em todo lugar  e não é preciso nem se esforçar para achar uma caso seja possível, a ciência até desistiu de explicar esse tipo de comportamento, classificado atualmente como vagabundo. 
A chuva as vezes vem a calhar, acaba levando para longe as folhas da calçada e não é necessário varre-lá, as vezes ela fazia o contrário, foi o caso deste dia de azar, traz folhas, mas não há muito o que fazer nestas situações se não esperar outra chuva para leva-las embora, ou varrer, o que não é muito recomendável, já que você pode deslocar a coluna... 
Resolvi ver a previsão no dia seguinte para ver se poderia chover e assim as folhas que haviam ficado na minha calçada no dia anterior seriam levadas, mas infelizmente avisaram que só havia previsão de chuva para daqui à um mês. Enfim terei que esperar as folhas secarem e o vento levá-las. 


sábado, 2 de julho de 2011

Um Sábado qualquer...

Por que falar sobre um dia da semana ? Provavelmente uma pessoa fala sobre um dia da semana quando não tem nenhum outro assunto para discutir, ta aí, este é o meu caso. Cá entre nós o Sábado é só mais um dia da semana como todos os outros, embora algumas religiões imponham restrições ao torno deste dia e a maioria das pessoas trabalhe só até o meio dia , o que é um ponto positivo para destacar este dia em relação aos 5 dias da semana, exceto Domingo, se falarmos em Domingo seria um golpe baixo contra o humilde Sábado, então declara-se a partir de agora que nesta crônica a semana tem apenas seis dias: Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta e nossa majestade Sábado, o dia em que as pessoas só trabalham até o meio dia, os dias em que as pessoas saem a noite e entre uma bebida e outra saem dirigindo e matam meio mundo, bom deixa para lá esta parte, consideremos que está parte pertence ao domingo que não existe, portanto este trecho não existe.
Como todo dia Sábado tem seu começo e seu fim, começa por volta das onze e meia em que expectativa por sair do serviço envolve as pessoas e termina, bem termina depois de muito tempo, depois da noite e do sol raiar e se pôr novamente, isto porque todo Sábado que se preze se estende até domingo, ou mesmo até Segunda, todo Sábado que se preze tem mais de 24 horas. Por isso o bom e velho Sábado não é um dia comum, não mesmo, podemos dizer que ele é paranormal mas entre muitas características o Sábado pode não ser o melhor dia da semana, embora em nossa crônica seja já que consideramos o senhor Domingo como ausente, mas mesmo se o Domingo estivesse entre nós , que Deus o tenha, ele não seria o melhor dia, pois o melhor dia não é aquele em que as pessoas não trabalho e se divertem, nem aquele que as pessoas julgam o melhor, o verdadeiro melhor dia é o Sábado, o Sábado que percebemos que amanhã é um Domingo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Cotidiano Diferente

A vida é um verdadeiro cotidiano, acordamos todas as manhãs preparados para mais um dia totalmente monótomo, repetições e mais repetições de tudo o que fizemos no dia anterior e no anterior ao anterior , por todo um tempo indeterminado que nem mais lembramos. A cada dia um mesmo velho novo dia. Seria assim a vida toda uma série de repetições tão comuns que não achariamos uma causa pela qual fazermos tudo novamente no outro dia se não fosse por um acontecimento diferente que muda totalmente um dia, talvez uma simples lembrança , um olhar, uma pessoa, e tudo muda excluindo de nossa idéia o conceito de cotidiano ser igual sempre. Sejam coisas boas ou ruins algo sempre ocorre para impedir que nosso dia seja igual, querendo ou não algo sempre será diferente, não podemos de forma alguma repetir o inreptível, niguém pode agir com tal exatidão...
Mesmo o cotidiano tendo algo diferente, nossos dias nunca são totalmente diferentes, talvez porque queíramos que tudo ocorrá igual ao dia anterior embora isso não seja possível, por um motivo especial todos buscamos pelo menos um dia uma forma de fazer o novo dia ser igual, exatamente igual ao anterior, seja por uma companhia , seja por uma solidão... buscamos todos os dias iguais ao dia perfeito... seria impossível chegarmos a tal dia se todos os dias são diferentes ?
Um novo velho dia...

Independentemente da resposta sempre buscaremos esse dia como todos os outros dias, esse dia sempre existe, para todas as pessoas, mais cedo ou mais tarde encontramos em nosso imenso calendário o dia "perfeito" que buscaremos repetir para sempre, embora esteja muitas vezes fora de nosso alcançe. Alguns desistem desse dia, outros seguem em frente e esses podem não chegar a tal exatidão matemáticamente e físicamente impossível, mas conseguem se assegurar de que o momento que fazia daquele dia o dia mais importante de todos volte a se repetir infinitamente, durante toda uma vida.
Em busca de um sonho, pessoas se perdem ... em busca de uma resposta, pessoas erram ... em busca de uma pessoa , pessoas enlouquecem... em busca de um dia , pessoas vivem !

quarta-feira, 16 de março de 2011

O povo que gosta de assunta...

Naquela cidadezinha do interior, Dona Bernadita, Dona Rosalita e Dona Marvina, conversavam a frente da casa de Marvina, até que depois de 5 minutos de silêncio, Dona Rosalita indagou, para Bernadita:
_Eu num queria te contar cumadre, mas vo te que te conta...
_Fala logo muié, se ta me deixando assustada!
_Seu marido ta te corneando!
_Como se sabe?
_Uma senhora me conto...
_Fala que senhora!
_A Dona...
_Desembucha cumadre!
_A Dona Sebastianinha!
Ao ouvir isso, a Dona Bernadita atravessou a rua (a cidade só tinha uma rua), e foi chamar dona Sebastianinha, a senhora muito velha quase caducando, ouviu os gritos de Bernadita a chama-lá, e saiu para ver o que a mulher queria:
_Que que você qué?
_Eu quero sabe com quem meu marido ta me traindo!
_Isso eu não sei não.
_Então quem disse para você, que meu marido ta me traindo?
_A Dona Zulmira.
_Obrigado-disse a mulher que não se aguentava de raiva.
Saindo dali foi encontrar Dona Zulmira, e novamente obteve a mesma resposta, foi fulano que me contou, depois ao ir perguntar para o fulano, ele respondia foi sicrano, e assim foi até chegar na última pessoa da rua (a qual só podia ser ela que viu o causo), então perguntou:
_Com quem, meu marido esta me traindo?
_Não posso te dizer.
_Fala! Se você não falar...
_Tudo bem, eu vi ele com a Dona Rosalita!
Naquele momento, Bernadita pensou em duas coisas, a primeira foi "Vou matar meu marido" e a segunda foi "Esse povo gosta de assunta... Até para seu próprio mal..."

terça-feira, 15 de março de 2011

As crianças de hoje...

Essa crônica conta um relato de um pai, que descobriu que as crianças de hoje, não são mais como as de antigamente:

Naquele dia, meu filho mais novo de seis anos (e eu também), estava muito feliz, era a primeira vez que eu iria levá-lo ao zoológico.
Chegando lá, o primeiro animal que visitamos foi o tigre, ou o grande gato como disse meu filho, ao encontrar o “grande gato”, meu filho não soube disfarçar a alegria, pois ele era fã de animais selvagens.
O segundo animal visitado foi o macaco, o qual meu filho alimentou com a pipoca que havíamos comprado na entrada do zoológico. Agradecido pela pipoca, o macaco fez um “show de circo”, no qual fez muitas atrações, desde subir em árvores até virar piruetas, o que fez meu filho dar muitas gargalhadas.
Logo após, fomos ver a girafa, que estava se atrapalhando toda, enquanto tentava comer algumas folhas de uma grande árvore.
Tempos depois, eu vi que o relógio registrava 17 horas, e lembrei-me, que o zoológico iria fechar, então falei a ele:
_Vamos ver o elefante-animal que meu filho estava com muita vontade de ver-e ir embora.
Chegamos, perto da jaula dos elefantes, então indaguei para meu filho, a mesma pergunta que meu pai havia feito há 30 anos para mim:
_Filho, como nasce os elefantes?
_Daquele jeito ali pai... -e apontou dois elefantes se acasalando (naquele momento, tudo desabou sobre mim, pois meu pai me fez essa pergunta quando eu tinha 15 anos, e eu respondi a ele que o elefante nascia da cegonha. Naquele momento, percebi que as crianças de hoje, não eram iguais as crianças de antigamente).

Mal ou mau?

O menino chega a seu pai com ar interrogativo. O pai percebendo que o menino quer perguntar algo, diz:
_O que você quer perguntar filho?
_Nada...
_Fala logo filho. Tenho muita coisa para fazer, e sei que você quer me interrogar.
_Você não vai ficar bravo, pois está ocupado?
_Não filho.Pode perguntar.
_É que eu estou com uma dúvida em gramática!
_E qual é essa dúvida?
_É que eu não sei quando usar mal com L e quando usar mau com U.Você saberia me explicar?
_Por que você não pergunta isso para sua mãe?
_Eu já perguntei. Ela me mandou perguntar para o senhor.
_Mais eu não sei te explicar filho, faz muito anos que eu não vou à escola.
Neste momento a mãe chega ao local e pergunta para o garoto:
_ Seu pai soube te explicar filho?
_Não mãe, como você disse, ele é burro como eu.
O marido fica indignado com o que à mulher havia falado e xinga a mulher, e com isso começa uma discussão entre o casal, e o filho nem tenta interventer a briga, pois usa muito o bem ditado que “Briga de marido e mulher não se mete a colher.Ao fim da briga a mulher diz:
_Tudo isso aconteceu por causa dessa maldita pergunta do Felipe!
O pai diz:
_Não culpe nosso filho. Se ele não tivesse um mau professor ele não viria nos perguntar sobre essa dúvida.
_Pai, mas a professora é mal com L o mau com U?
E tudo começa novamente...

Para de passar Carnaval na TV!

Hoje, liguei a televisão, e o que se via era o carnaval do Rio de Janeiro. Nos primeiros 6 minutos, cantei junto com a escola de samba, mas tempos depois (7 minutos), enjoei, e mudei a emissora de TV, e também estava transmitindo o carnaval (só que esse, era o carnaval da Bahia). Então, como era tarde da noite, resolvi ir dormir.
No dia seguinte, acordei cedo, e como era feriado (e eu não deveria ir trabalhar), resolvi ir assistir TV (a única coisa que as pessoas que não tem computador, podem fazer em casa em um dia de chuva), algumas emissoras ainda estava transmitindo o carnaval, então troquei de canal, para assistir o Jornal da Manha, e adivinha sobre o que era a reportagem transmitida... Sim, era sobre o carnaval, da madrugada passada.
Naquele momento me irritei, e parei de assistir a TV, até pensei em fazer greve contra as emissoras, mas pensei melhor e abandonei este ato.
Mas de qualquer forma, eu vou dar uma dica para essas emissoras: ao invés de passar quatro noites de carnaval, porque não passar m documentário? (ou melhor, não, hoje em dia as pessoas não pensam mais na educação) Ou então, em pelo menos uma dessas noites, transmitam um filme (pode até ser Beethoven, pode ser até Denis o Pimentinha, que já passaram trocentas vezes, em todas emissoras), mas passem qualquer coisa, só não passem quatro noites de carnaval.
Obrigado pela atenção emissoras (eu sei que vocês não darão a mínima atenção mais tudo bem), mais se vocês lerem essa crônica, atendam esse pedido (não sei por que eu chego a esse pronto, ano que vem é possível que tenha 7 dias de carnaval).

Ela fala mau, mas assisti

Naquele dia chuvoso, resolvi ir para casa da minha avó Zunitinha, que morava em um sítio no final (ou início) da cidade, estava muito feliz, pois lá, poderia ordenhar as vacas, dar comida as galinhas e tomar um delicioso café da tarde.
Depois de uma tarde atarefada no sítio da minha vovó, resolvi ir tomar banho.Depois do banho jantei, e fiquei conversando com minha avó.Até que lembrei, que estava na hora do meu reality show preferido, então perguntei a minha avó:
_Vó, posso assistir TV?
_Depende...Qual é o programa?
_É aquele Reality Show.
_Então não pode.
_Porque?
_Porque aquele programa, tem muita baixaria, eles falam muito palavrões!
Quando eu ouvi aquilo me irritei, pois a minha avó, era a pessoa que falava mais palavrão, de toda a minha família, então indaguei:
_Mas você também fala palavrões!
_Mas é diferente!
_Qual é a diferença?
_Não discuti comigo moleque!Se você continuar assim, eu vou ter que mencionar isso para a sua mãe, e ela não vai gostar nada de ouvir isso.Vai dormir antes que eu te dê uns tapas moleque!
Como não queria apanhar nem da minha vó, nem da minha mãe, resolvi ir me deitar.
Como estava sem sono, uma hora depois resolvi ir beber um copo de leite, e o que eu vi parecia um sonho: Minha avó à frente da televisão, assistindo o reality show que havia difamado à pouco.Pasmado com que vi, voltei a cama, e dormi.
No outro dia, indaguei a ela sobre o acontecimento, e ela envergonhada, respondeu que eu havia sonhado com aquilo, e que ela nunca iria assistir aquela "porcaria".


Desconfiança

CNaquela manha, acordei com o tocar do telefone, eram sete horas da manha, e quando atendeo o telefone ouço:
_Parabéns, você ganhou o nosso sorteio da rádio Pararinha, venha ao nosso estúdio no centro da cidade, para receber seu prêmio, um carro 0 direto do fabricante, e com todas parcelas do IPTU pago!
Então, respondo brutalmente:
_Eu não participei de promoção nenhuma!Vocês querem me enganar seus @#$%%, vai acorda a mãe! @#$*&%! @#%&%!
Depois disso, o narrador desligou rapidamente o telefone, pois estava indignado.
Voltei a dormir, pois era feriado, e eu não deveria ir trabalhar.
Acordei novamente, com o bater na porta.Fui abri-lá, e ao abrir tomei um susto, minha esposa estava lá, perguntei a ela o que havia acontecido, e ela respondeu:
_Aconteceu que você é um burro!
_Por que amor?
_Por que você é filho de uma burra!
_Por que você esta falando isso amor? Você nunca me difamou, muito menos difamou minha mãe!
_Não aconteceu nada seu @#%$!&*%!
_Se você continuar gritando assim, vou ter que pedir o divórcio!
_Cala boca!Eu já pedi!Por que, eu não mereço ficar casado com um anta como tu, seu paspalho, imbecil!Bem que minha finada mãe avisou, que pena que não acreditei nela.
_Calma amor!Vou pegar um copo de água com açúcar para ti se acalmar.
_Eu não preciso de água com açúcar para me acalmar!Preciso de um carro!
_Maria, você sabe que nós, não temos condições para comprar um carro.
_Claro que tínhamos condições!Era só você ter ido na rádio Pararinha!
_Não entendi...
_Seu filho de uma mãe, eu comprei 50 bilhetes para participar do sorteio da rádio, gastei uma grana preta, consegui ganhar o sorteio, e quando o narrador liga aqui você diz "Eu não participei de promoção nenhuma!Vocês querem me enganar seus @#$%%, vai acorda a mãe! @#$*&%! @#%&%!".Seu imbecil!
Naquele momento, eu me lembrei da ligação que me fez acordar, e me arrependi, pois uma simples desconfiança, me fez perder um carro e uma mulher.

Por que fazer prova nas escolas?

Eu as vezes me pergunto: Por que fazemos provas na escola? Desde que eu faço essa pergunta (a muito tempo), nenhum professor me respondeu, mas eu acho isso é uma coisa sem necessidade nenhuma, pois ao invés de mostrarmos nosso conhecimento, poderíamos aprender mais, e não precisar mostrar o nosso conhecimento para ninguém, nem para os professores (que hoje em dia, muitos não são lá essas coisas).
Eu não tenho certeza, mas aos meus olhos de um simples aluno, parece que essas provas não estão dando muita qualidade ao nosso ensino, pois dizem que as provas são feitas para analisar os pontos fracos dos alunos, mas na minha opinião esta dando errado, pois hoje o Brasil contém uma das piores educação do mundo, ou seja, muito dos professores não levam a sério as provas, pois dão um 0 para os alunos, e deixam o aluno continuar tirando 0, e o pior de tudo aprovam esse aluno, até o 3º ano do ensino médio, e quando ele acaba de cursar o ensino médio sofre as consequências de não arrumar trabalho algum.
E também, depois que eu faço uma prova eu esqueço tudo, mesmo tirando nota máxima, principalmente se for prova de história, geografia e inglês (aulas nulas para quem não quer seguir essas carreiras).
Então, se eu fosse do meio da educação, resolveria fazer algo a respeito para melhorar o ensino, e fazer que as provas atingissem seu objetivo, e recomendo isso para os educadores do Brasil, que acredito que não lerão esse texto, mas se alguém ler, indique a sua opinião a respeito, nos comentários.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Letras

Letras, são muitas, ou poucas, depende mesmo do ponto de vista da pessoa que analisa, para alguns são muitas, para outros são poucas, mas independente disto estas letras dão origem a palavras, palavras essas que são atualmente uma necessidade humana atual. Pense um pouco, em todos os lugares que você vai lá estão as letras, em forma de uma palavra, uma frase, um verso, um texto ou qualquer outra coisa insignificante que você presencia. As letras são super poderosas, pode até parecer loucura, mas as simples e insignificantes letras assumem papéis que mudam um momento, um dia, uma semana, um mês e como consequência toda uma vida e em situações diversas toda a história do planeta.
Começamos a vê-las logo que chegamos nesse mundo, desde pequenos estamos rodeados por símbolos estranhos que mais tardes serão estudados e implantados como um chip alienígena em nosso cérebro e a partir daquele momento viramos dependes das letras e precisamos delas para tudo o que fazemos, depois dizem que temos direito de fazer nossas escolhas, mas não, quando as letras são implantadas em nossas vidas viramos dependentes, talvez viciados , entramos em um mundo onde não a saída, não há tratamento ainda para essa doença, não há como prevenir, não há como fugir e teremos de conviver com ela pelo resto de nossas vidas.
Entramos no primário, aprendemos a utiliza-las de forma primitiva, neste período ainda não somos totalmente controlados por elas, mas com o passar dos anos a situação se agrava e quando se poderia perceber que somos dependentes das letras, não há como perceber porque já não temos mais controle sobre nossas percepções.

No decorrer do dia tudo se envolve em letras, tudo está voltado ou relacionado com aqueles símbolos, já não aguento mais, ao acordar lá estão às letrinhas da etiqueta do travesseiro, ao levantas lá estão novamente elas no logotipo do chinelo, depois lá estão elas novamente na pasta de dente, em seguida elas surgem pacote de biscoitos. Esses símbolos dominantes tornaram-se tão comuns que nem percebemos mais sua presença em nosso dia-a-dia, onde tudo são letras, até mesmo aqueles borrõezinhos miúdos no fim do contrato são letras que podem e devem ser lidas, só esqueceram-se de avisar este pequeno detalhe ao datilógrafo, que nada mais é do que uma pessoa que tem a doença em estado avançado e utiliza instrumentos por ordem das letras.
As letras geram confusões, um pequeno bilhete pode acabar com uma grande amizade ou algo a mais, uma carta pode parar uma nação ou todo o mundo, um livro pode modificar o modo de pensar de toda a população mundial por toda uma era, mas as palavras modificam tanto para o bem como para o mal. Um pequeno bilhete pode fazer uma vida ser a melhor possível ou a mais angustiosa que se possa imaginar, um texto pode fazer com que você seja aprovado naquele exame final, mas também pode fazer com que você reprove... Enfim as letras podem ser boas, basta que seu manuseador saiba usá-las e que as letras o permitam fazer isso, mas independente disto não podemos negar que as letras ainda estão em maior número, tenho quase certeza que existem mais letras no mundo do que pessoas,  imagine só quantas letras estão contidas em um livro.
As letras não são todas iguais, mas estão sempre juntas, no nosso alfabeto, por exemplo, se dividem em 26 raças, 26 crenças, 26 culturas, mas independente disto estão sempre unidas, talvez isso seja o que falte nos seres humanos e por isso as letras são superiores a eles.
Não adiante ir muito além, não tem como escapar, nossos dias estão contados, o fim está cada vez mais próximo, as letras estão dominando o mundo, e eu estou contribuindo para isto, infelizmente não há como escapar, vamos se unir a legião das letras então, pelo menos estaremos do lado mais forte, veja só a enorme contribuição que fiz com esse texto, observe quantas letras eu utilizei, tomará que as letras lembrem-se disso no dia do Juízo Final.



Nova surpresa velha

Naquele dia pacato, dois amigos brincavam de futebol na rua, quando o mais velho (Babaquinho), lembra que ele devia mostrar uma surpresa para o mais novo (Panaquinho), de uma novidade que ele descobriu, no porão da sua casa, então Babaquinho diz:
_Panaquinho, eu tenho uma surpresa para você, mas eu vou ter que esperar minha mãe ir trabalhar para te mostrar essa surpresa, pois ela está limpando a casa (a mãe de Babaquinho não estava limpando a casa, apenas achava que Panaquinho cheirava mal).
Depois de 25 minutos, em de espera, que prolongava uma grande angústia, a mãe de Babaquinho foi trabalhar, então os dois entraram na casa (Panaquinho, estava muito ansioso para descobrir a surpresa, enquanto os dois iam percorrendo o caminho até o porão (local onde estava a surpresa), Babaquinho deu uma descrição sobre a surpresa:
_A surpresa é uma máquina muito moderna, e vai ser muito útil para fazer nossos trabalhos escolares.
Com essa descrição Panaquinho teve uma visão da máquina como uma grande engenhoca, cheia de botões e blá, blá, blá...
Chegando no porão, Babaquinho tirou o pano que estava sobre a máquina, e mostrou a sua tecnologia.Colocou uma folha na máquina, e começou a escrever, e quando Babaquinho teclava o botão, a letra que estava no botão era imprimido ao mesmo momento, então Babaquinho falo:
_A máquina imprimi, simultaneamente a hora que se escreve.
Os dois ficaram surpreendidos com a máquina, e a usaram a tarde toda, e sabe o que era aquele máquina?Sim, a famosa e antiga Máquina de Escrever...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Procura-se: balas perdidas


A onda de crimes no Rio de Janeiro, principalmente nas favelas que praticamente eram dominadas por traficantes e outros tipos de seres que mexem com o crime, é algo que realmente precisava ser mudado, entretanto só então agora com a invasão as favelas e dominação destas pelas forças policiais a situação está em um quadro de melhora.
Os ladrõezinhos foram presos, assim como os grandes traficantes e “chefões”, além de toneladas e toneladas de drogas e armas que estão guardadas, caso haja uma terceira guerra mundial todos os países do mundo vão querer se aliar o Brasil, pois certamente com tal tipo de armamento a nação se torna indestrutível.
Para muitos essa situação de limpeza das favelas vem sendo vista como uma grande necessidade e avanço para o Rio, mas nem todos os cariocas pensam desse jeito, até pensavam nos primeiros dias depois perceberam que a ausência das armas mexeu de forma drástica em seus cotidianos.
José por exemplo é morador do Alemão há cerca de dez anos e certa manhã acordou cedo e determinado a ir a padaria da esquina comprar dois pãezinhos, mesmo que isto lhe custasse a vida. Preparou todo seu equipamento de defesa, colocou seu colete a prova de balas, seu capacete militar, botas militares e outros equipamentos de guerra, por fim pegou seu escudo gladiador, caminhou com dificuldade até a porta de sua casa, a cada passo se ouvia um barulho infernal do equipamento que lhe prendia as pernas, certamente aquilo já seria o suficiente para algum vizinho que dormia, por estar de ressaca da noite anterior, desse um tiro no barulhento. Antes de abrir a porta rezou três aves Maria e cinco Pais Nossos, abriu a porta e saiu em direção a padaria até a esquina o mais rápido que pode, embora as engenhosidades sobre seu corpo permitissem que uma tartaruga fosse mais rápida que ele.
Com os olhos fechados para não ver os tiros José chegou até o local de destino, abriu os olhos e como não sentia nenhuma dor ou desconforto de uma bala cravada no corpo, olhou para o padeiro que estava a sua frente:
_ Aqui é o céu? – suspirou- Você também morreu seu Joaquim?
O padeiro sem entender o que acontecia resolveu responder com calma a pergunta do cliente, afinal realmente era de se admirar que este tivesse chegado até ali sem levar um tiro ou uma facada se quer e respondeu:
_ O único céu que tem aqui é este – disse apontando para cima- depois do tiroteio de sexta o telhado ficou um peneira e da para ver o céu daqui de dentro, mas agora acho que isso não vai mais acontecer, a polícia esta invadindo o morro e levando os criminosos, já levaram minha mulher e meus filhos e também meu pai de oitenta anos, só sobrou eu...
Admirando a novidade da invasão policial, José retirou aquele equipamento de guerrilha que devia ter uns vinte ou trinta quilos e fez seu pedido:
_ Me vê dois pãezinhos, por favor?
Seu Joaquim foi até a fornalha deu uma olhada e depois voltou com as mãos vazias:
_Pronto!
_Pronto o que?-retrucou cliente- Cadê meus pães?
_Que pães, eu já vi lá para o senhor... –explicou Joaquim
_Não... - disse José procurando manter a calma- eu quero comprar dois pães francês, entende?
_Ah! Entendo, mas sinto muito aqui não tem pão francês, sou eu quem faz os pães e sou português não francês!
Cansado do desentendimento, José concluiu o pedido:
_ Então me vê, ou melhor, me traz dois pães portugueses que eu preciso ir para casa...
Após alguns minutos José conseguiu levar os pães, fez o caminho da padaria até sua casa repetindo a façanha de não levar um tiro durante o trajeto. Entrou em sua casa sem acreditar no que estava acontecendo.
Nos primeiros dias as pessoas continuavam saindo de suas casas com suas armaduras e escudos, depois alguns saiam um dia com outro sem os equipamentos, entretanto no dia em que todas aquelas proteções não eram postas, as pessoas encontravam certa dificuldade para realizar as tarefas diárias, afinal a maioria delas vivera toda a vida por baixo daqueles metais improvisados e coletes gastos e usados. Alguns não conseguiam nem andar sem os equipamentos, outros não conseguiam falar e por incrível que pareça alguns não conseguiam nem respirar.
Um certo senhor saiu de sua casa sem a incrível armadura que havia modificado durante anos e anos, deu alguns passos e começou a zonzear, levou a mão ao pescoço como se lhe faltasse ar e aos poucos foi caindo, começou a se rastejar pela rua na tentativa de voltar e buscar seu suposto remédio, teve sorte de que alguém viu seu estado e o ajudou. Não soube ao certo porque isso aconteceu, mas se supõe que a falta da pólvora no ar tenha causado o mal estar.
Alguns garotos eram acostumados a caçar pombos com uns estilingues caseiros, todas as tardes voltavam para suas casas com uma bacia com cerca de trinta a quarenta pombos, se julgavam ter a melhor mira de todo o morro e muitos acreditavam nisto, entretanto com a falta de criminosos na região os garotos passaram a voltar todas as tardes apenas com o estilingue na mão. Depois foi se explicado que eles não eram tão bom atiradores quanto pensavam, apenas tinham a sorte dos pombos encontrarem as balas perdidas.
A população passou a perceber que não era ninguém sem os criminosos e não podiam viver sem eles, fizeram passeatas para que eles voltassem e tentaram até mesmo um baixo assinado na tentativa de recuperarem suas vidas.
O governo viu o caso como uma emergência, já haviam sido registrados até casos de suicídio em questão à ausência de balas perdidas, alguns se perguntavam: se as balas perdidas estavam realmente perdidas?  Não vendo resolução melhor para o problema e não podendo soltar os criminosos o governou instalou um sistema de balas perdidas que dispara balas perdidas a cada cinco minutos, isso como provisório até que a Clínica de Recuperação Para Viciados em Balas Perdidas que está sendo construída esteja pronta.

Meu primeiro quase celular


Basta olharmos para o lado, nos tempos em que estamos vivendo tecnologia e inovações é o que não falta, logo pela manhã temos a um aperto um café fresco , com a cafeteira os bules logo serão descartados. Computadores, televisões, DVD, Blu-ray, estamos em plena era digital e não podemos esquecer do tão cobiçado celular, aquele aparelhinho que as pessoas colocam no bolso e saem desfilando por ai, algumas o utilizam de fato, outras apenas fazem questão de poder dizer com empolgação e liderança : “ Eu tenho um celular ...”
Já vi pessoas que falam no celular com fantasmas, parece fascinante, mas a espiritualidade já invadiu o mundo digital, em meio a uma conversa, confusão, ou qualquer cena cotidiana o sujeito retira o celular do bolso, como se aquele recebesse uma ligação, e começa a falar. Certo dia vi uma cena desta diante de meus olhos em meio a uma conversa sem muita finalidade com uma amiga, a garota retirou o celular e começou a falar, quando perguntei com quem estava falando ela me respondeu sem pensar duas vezes : “ Antônio... “ E continuou a prosa que a principio aparentava-se ser longa e só não foi mais porque no meio desta meu amigo Antônio apareceu e nos cumprimentou.
Hoje em dia quase todo mundo tem celular, eu estava fazendo parte até então da insignificante porção de pessoas que não possuía um daqueles cobiçados aparelhos, estava suportando bem viver sem a dependência daquela maquininha, entretanto não pude resistir a tentação, iria comprar um celular!
A única função que eu tinha quase certeza que um celular exercia era fazer ligações, tirando isso não sabia se era a manivela ou a gasolina que este funcionava... Procurei me informar, conversei com algumas pessoas, li jornais, não pesquisei na internet porque ainda não tinha certeza que está já existia. Descobri muita coisa e muitos celulares, alguns tiravam fotos, outros filmavam, enquanto havia aqueles que tocavam rádio e músicas e também os que serviam como mapa e mesmo máquina de escrever, pode parecer estranho, mas encontrei um celular que possuía uma incrível função de cafeteira.
Estava pronto não podia esperar mais, havia chegado à hora, a tão sonhada hora de comprar um celular, não sabia por que, nem para que usaria aquele cubículo de tecnologia. Fui a uma loja especializada em eletrônicos, estava um pouco tenso, procurei manter a calma e fui em busca de um vendedor... Nem foi preciso, a criatura pálida e alta apareceu em minhas costas repentinamente, quando percebi sua presença não sabia se saia correndo ou chamava uma ambulância para ajudar o pobre ser humano.
Procurei me lembrar das aulas de autocontrole e informei o vendedor cautelosamente que eu procurava um aparelho celular, ele pediu que eu o acompanhasse e fomos caminhando até uma enorme vitrine que tinha as mais diversas engenhocas e inutilidades. O vendedor começou a virar os olhos sobre a vitrine, seus olhos pareciam os de um papagaio, após alguns segundos achei que ele estava meio confuso, após alguns minutos achei que ele estava perdido e depois de trinta minutos de busca cheguei a conclusão de que ele não fazia a mínima noção do que estava procurando, até que ele pegou vários aparelhos e passou a me mostrar um por um, tentando sem sucesso explicar o que cada um fazia. Fui apresentado à vários modelos e marcas, e encabulado logo questionei : “ Qual é o melhor?” E como todo vendedor ele logo me apresentou aquele que era o máximo , o máximo preço que existia na loja, sem muito pensar acabei que adquirindo aquele independentemente do preço, afinal sendo o melhor aparelho com certeza iria fazer grande sucesso.
Foram quase meia hora de espera até que o tal do cupom fiscal fosse impresso, ele pediu desculpas disse que com o grande pedido de notas sobre produtos do Paraguai não estavam mais conseguindo passar pelo sistema de impostos do Brasil, eu sorri, mas em momento algum vi que ele expressou aquilo como brincadeira. Além da demora recebi o produto dentro de um pacote de pão, com os cabos e fontes enroladas entre meio uma confusão de fios, olhei indignado e antes que me pronunciasse o vendedor logo anunciou: “É ponta de estoque, não encontramos a embalagem, provavelmente tem algum defeito, deve ter vindo da devolução... nada demais...“ 
Tentei me controlar, achei melhor não discutir com o vendedor e levei o aparelho para casa na esperança de que não houvesse nenhum problema com aquele, foram quase três dias para que eu conseguisse ligá-lo e mesmo assim não conseguia utilizá-lo de maneira alguma. Mostrei para todos que eu conhecia, mas todos diziam que o aparelho deveria ser muito sofisticado, pois eles nunca viram aquele modelo. Fiquei muito feliz, eu era o cara, ninguém tinha um aparelho melhor do que o meu, até que um dia um amigo pediu o número do celular, coloquei a mão na cabeça e fiquei pensando sobre aquele pequeno detalhe, no dia seguinte fui correndo para a loja onde logo encontrei o vendedor que parecia estar se desencontrando de mim como se ao pensamento lhe viesse: “Cliente uma vez é compra, duas vezes é troca”.
Mesmo sem querer ele acabou me atendendo e eu logo lhe informei o que precisava: o número do celular, ele pegou o aparelho e foi ao fundo da loja onde contatou alguém que aparentava ser o gerente, este chamou outra pessoa e mais outra que por sua vez chamou uma moça, em poucos segundos havia uma roda com cerca de dez pessoas observando algo que por suas expressões teria grandes chances de ser um extraterrestre, entretanto era apenas o aparelho que eu havia adquirido, depois de algum tempo o vendedor voltou a mim com o aparelho em uma mão e uma caixa em outra, rapidamente ele colocou-o dentro da caixa e foi me informando: ”Infelizmente não posso fazer nada este aparelho não tem suporte à chamadas, por isso não tem número...mas encontramos a caixa ! “   Retruquei imediatamente, como eu poderia estar ouvindo aquilo, havia comprado um celular que não fazia ligações, após uma grande discussão e uma série de explicações cheguei a conclusão que o melhor a fazer era aceitar a situação, tentei por uma ultima vez e ele me disse: “ Não posso fazer nada, o senhor deveria ter especificado que precisava de um celular que realizasse ligações...” Para mim era o limite, tomei posse da sacola que continha a caixa com o aparelho e fui embora.
Depois de  alguns dias peguei a sacola e resolvi ver o aparelho novamente na tentativa de descobrir alguma outra função daquela inutilidade, rapidamente me deparei com a escrita na caixa, ao lado da imagem de meu aparelho, “ Câmera Digital 7.0 mega pixels” .


domingo, 19 de dezembro de 2010

Reflexão Canina

Certo dia um cão, cansado de ser humilhado, criticado e certas vezes acusado, resolveu parar um pouco de correr, brincar, ficar se coçando e mesmo de ser o melhor amigo do homem para que pudesse vir a observar a vida humana em comparação a sua.
Caminhando lentamente, com sua língua exposta e torta a direita, ele observou uma pelada entre a garotada da vila, no campinho improvisado e atento aos atos de driblar, chutar, correr e fazer gol, aos quais pensava:
_E além de tudo eu que sou “bobinho” em ir correndo atrás do disco ou da bolinha de borracha que eles jogam, se eles soubessem que eu só queria resgatá-la para que eles não a perdessem, olhe só isto: eles correm, brigam, gritam e tudo por uma bola de couro velha, depois a chutam entre meio as camisas e começam tudo de novo.
Continuou seu passei e mais a diante se deparou com uma mulher que saia, rodeada de sacolas, de uma loja de roupas, logo lhe veio:
_Humanos, trabalham o dia inteiro e depois trocam todo o seu trabalho por pedaços de panos que envolvem no corpo, nós não, os caninos trabalham cuidando do quintal durante a noite para ganharmos comida, água e carinho, não somos tão bobos como eles.
Seguiu seu destino e a frente topou com a cena de uma acidente e um trânsito atordoado:
_Eles entram dentro destas bolotas de ferro e depois saem andando por ai e a todo instante uma destas bolotas explode e tudo o que está dentro dela também, dizem que é mais rápido, mas olhe só: estão parados aí deve fazer umas duas horas e vão ficar mais uma hora, prefiro minhas quatro patas.
Continuou e entrou em um shopping, mesmo se a placa anuncia-se: “Proibida a entrada de animais”, afinal não era um cão alfabetizado. Olhou ao redor e visualizouvárias pessoas diante das telas dos computadores, a maioria trabalhando, outros se divertindo:
_Veja, como são tolos, dependem de uma máquina estranha com uns botões sinistros que faz tudo para eles, sem elas não são nada, nem ninguém, prefiro assim, viver por eu mesmo, além do mais os cães são perfeitos, não preciso de vida melhor, os humanos nos idolatram.
Percebendo que já se entardecia e que a noite começava a se apontar no céu resolveu ir para a sua casa, afinal já fazia tempo que estava fora e seus donos haviam de estar preocupados com o seu sumiço, voltou em uma caminhada tão calma como a de ida.
Chegou, já era noite, e antes que pudesse entrar reparou que a mulher chegava junto a ele com um felino na mão, se escondeu e ficou observando o que ocorria, ela chamou a filha e começou a explicar:
_Veja querida, um gatinho, será muito melhor que o Totó e tem muitas vantagens, é bem carinhoso, se banha sozinho, não irá sujar todo o quintal como um cachorro, faz tudo na caixinha de areia e além do mais é muito mais bonito e fofinho, não fica latindo à noite e come qualquer coisa em qualquer lugar.

Do carro à carroça

Carro, quatro rodas, quatro portas e um porta-malas, metálico, limpo e conforto total devido a seus bancos de espuma macia e duradoura, nem se compara a velha carroça: suja, assentos duros de madeira, total desconforto.
Olhe que evolução! Suspensão! Garante andar suave e calmo, como se as nuvens fossem a estrada à diante, pobre carroça de andar atordoado e incomodo.
Os vidros e a capota garantem a proteção, mas até que ponto?Chuva, sol e vento jamais entrarão no veículo motorizado e climatizado, quanto à velha carroça, resta-lhe a areia nos olhos, um banho de chuva e o sol ardente sobre a cabeça.
O automóvel é moderno, a mais alta tecnologia: GPS, computador de bordo, dentre tantos outros mimos quanto à antiga carroça contava somente com o conhecimento e previsões do que a guiava.
O carro do interior ao exterior é feito a base de tecnologia de ponta, a relíquia movida à força animal, feita de madeira e ferro. Sem dúvida uma boa troca!
Nem tudo é um mar de rosas, um dia em uma bela viagem numa noite escura, um farolofuscante cega a vista do motorista do belo e perfeito automóvel, um erro, e em poucos segundos o que era uma maravilha se transforma em uma tragédia,o carro antes símbolo da paz se transforma em um pedaço de ferro, como aquele que lhe originou. E a velha carroça?
Agora não se aparenta tão mal, vejamos então suas vantagens, afinal tudo tem o seu lado ruim e o lado bom, a antiga e inútil carroça, apesar de todas as críticas é um meio de transporte e mais do que um carro te leva a qualquer lugar, acessa locais inacessíveis, seu motor, apenas um cavalo, não necessita de combustível, apenas um feche de capim, água e descanso, jamais polui ou poluirá o ambiente, pelo contrário, fornece fertilizante para que este se recupere.




sábado, 18 de dezembro de 2010

Apenas uma sexta feira


Uma sexta, apenas uma sexta-feira, um dia da semana, a mesma monotonia de sempre. O sol abre a visão do pequeno bairro que se mostra ao fim da pequena cidade do interior paulistano. O cantar de alguns pássaros costumeiros revela que o dia começou. Um pequeno pardal indica o caminho da cama à porta, da porta à vida.
O café forte, de cor preta, aroma aguçado e atraente de olfatos, desperta a vizinhança.
O menino alegre passa pela rua, saltitante para a escola. Não que lhe agradasse estudar, mas lhe inundava saber de que dentro de poucas horas chegaria ao fim o período de aulas semanal.
A velha mulher, baixa, caminha lentamente pela calçada esburacada e mal tratada carregando consigo, além de alguns quilos a mais, o fardo de uma vida: alegrias, tristezas, sofrimentos, tudo o que aprendera... e alguma razão pela qual mantinha sua rota diante da estrada do viver. Algo não estava terminado!
A árvore de caule ferido, galhos mal podados, lutando pela vida, sem dar se quer uma reclamação, mantendo-se firme sobre o solo seco, persistia constantemente que a vida daquele que a destruíra dependeu, depende e dependerá dela.
O carro barulhento, com o escapamento estourado, passa pelo asfalto calejado que implora por ajuda. Alguém que lhe tapasse as feridas doloridas criadas por pneus revoltados e desesperados, muitas vezes sem motivos para tal euforia.
Mais tardia a velha senhora gorda retorna a sua casa, sol a pico, a fome impregnando-a... Horário de preparar a bela e saborosa refeição do meio dia. O garoto feliz volta com um grupo de amigos, desta vez com uma velha bola de capotão maltratada entre as mãos. Começaria uma partida: sexta, sábado e domingo, dias estes que passariam tão rápidos quanto aqueles poucos segundos que passaram diante do quarteirão no caminho do campinho improvisado que já pedia cuidados, mesmo que simples, de um de seus companheiros de todas as tardes e fins de semana. Tudo conforme o cronograma.
Um homem de meia idade, barba mal cortada, sorriso amarelo, dono de passos lentos e uma expressão de cansaço, caminha lentamente até o meio do pequeno quarteirão onde se senta junto à sarjeta e entrelaçando os dedos das mãos apoia o pescoço sobre elas e parado faz uma reflexão da vida.
Talvez estivesse passando diante de sua mente tudo que acontecera de marcante ou insignificante em sua vida. De minuto em minuto expressava um leve sorriso, uma velha lembrança de felicidade talhada no coração. Estaria descobrindo o que um velho cientista passaria a vida inteira tentando explicar para o mundo: o sentido da vida!
Na impressão de que aquele homem saberia explicar, com sinceridade, o que aprendera em todos aqueles anos que haveria de ter vivido ali, resolvi me direcionar a ele e perguntar sobre o lugar onde vivíamos. Com calma ele olhou para a frente e começou a falar:
_Moramos nesta bela e pequena cidade, onde temos poucos crimes, poucos acidentes, sem um trânsito estressante, catástrofes ou atentados terroristas. O que vem ao ponto é que vivemos aqui, onde meu vizinho é fonte de empréstimo de uma xícara de açúcar ou farinha e que, muitas vezes, paramos para prosear , descobri que meu vizinho mora perto de mim ...Percebi um novo jeito de viver, conheci pessoas, descobri que dentro da humildade de um povo simples e pacato grandes pensamentos podem reinar, mesmo que passem sorrateiramente sem despertar a atenção de ninguém.
O homem levantou-se, por alguns segundos, calado e disse:
_No caminho da vida, infelizmente, deparamos com alguns buracos dos quais devemos desviar. Vou seguir o meu caminho...- E continuou caminhando pela rua.
Olhei para o asfalto e conclui:
_Realmente precisamos de uma boa lama asfáltica.